Poeta Abraão Marinho
Fracassado não é aquele que perdeu uma luta, mas aquele que desistiu da guerra.
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AMOR E FANTASIA
 
A manhã de chuva estava a surgir, os ventos sopravam e faziam com que os cabelos do homem se esvoaçassem sobre a pluma que emergia de sua imaginação. Seus olhos miravam às margens do rio, calmo e triste que, com as gotas dos céus, animava-se (mesmo envergonhado). Seu pensamento estava distante, e as árvores moviam-se lentamente na sinfonia da calmaria.
Olhando para cima, parecia que a escuridão estava a tomar tudo, e a solidão era a companhia de maior austeridade, a companhia de todas as horas. Do reflexo embaçado, um passado não tão distante passava por sua mente:
Ele estava em seu quarto, a olhar pela janela a correria da cidade, também estava amanhecendo, e sua mulher vinha com um sorriso largo avisar que o café da manhã aprontara. Nisso, naquela mesa pequenas histórias eram contadas, rotinas eram exploradas, sempre preenchida pelos dois que, aparentemente sós, eram a metade um do outro.
Rotina bem corrida, ele saia para o trabalho de manhã e ela fazia suas pinturas e quadros de arte, bem como cuidava dos poucos afazeres domésticos da pequena casa. O trânsito o deixava impaciente, mas sempre que chegava o horário de voltar, um imenso prazer lhe cobria o corpo. Enquanto esperava o trânsito, de uma boa música sempre era nutrido, dentre as várias, Chopin era o compositor mais ouvido, com seus belos noturnos.
A poucas distâncias de sua pequena casa, via que a mulher já estava a esperá-lo de braços abertos, e com um desejo ardente, uma chama que logo se juntara, resultando em uma viagem ao espaço. Deitados, trocavam juras de amor, e assim caminhavam pelas estrelas do quintal, e os cães os vigiavam ao verem suas sombras.
De repente, subitamente, tudo desandou, e agora a moça não sentia alegria, uma profunda tristeza ascendeu em seu peito, e o homem não estava mais a preencher o espaço mais sublime: o do amor. Em seu ventre, carregava por três meses o resultado dos resquícios das chamas e deste perdido amor. O homem passava suas noites olhando as estrelas e perguntando delas por que que teriam levado a essência daquele sentimento.
Rendeu-lhe poesias profundas, e cada vez mais a mulher estava desanimada, sentia a ausência do seu companheiro nas horas adversas do dia, horas em que o mesmo estava a trabalho. Nem mesmo suas pinturas eram as mesmas, agora as trevas amarguravam a paisagem, e as músicas fúnebres, porém belas, eram mais presentes.
A raiz estava a crescer em seu interior, assim como o profundo desejo de acabar com a dor, tempos passaram e nada parecia mudar. O homem já nem dormia direito, e pelo mal desempenho fora despedido do emprego. Sobrevivera com os poucos contratos da mulher. Os seus olhos agora estavam vazios, e o semblante cada vez abatido.
Assim, um dia saiu para procurar emprego, e até conseguiu alguma coisa com o dono de uma pequena empresa da cidade. O dia passou rápido, e o homem foi correndo para dar a notícia à sua mulher, a tempestade estava a se formar a cada distância que se aproximava. Quando chegou em casa, a sensação ruim se formou de modo assustador.
Chegando ao quarto, lá estava sua mulher jogada no chão, com as rosas sobre, já sem vida, e um desenho na parede esboçava uma moça em uma escadaria para algum lugar que estivesse longe da dor. A carta toda ensanguentada dizia: te amo, mas não posso pôr fim a toda nossa história, então me sacrifico para o bem da nossa família.
Olhando para cima, parecia que a escuridão estava a tomar tudo, e a solidão era a companhia de maior austeridade, a companhia de todas as horas. Do reflexo embaçado, um passado não tão distante passava por sua mente, isso representava que a carta de seu amor fazia algum sentido, mas a saudade corroía seu ser.
Ao olhar para a água, seu rosto não refletia, e um raio ultrapassou seu olhar. As pedras se prenderam no bolso de sua calça, e este mesmo raio que transpassava seu coração, fazia com que sua vista fosse escurecendo cada vez mais. E quando algo branco apareceu, estava ali com sua família, feliz. Talvez fosse a hora de viver seu sonho em outro mundo, um mundo onde esse raio representa a volta de seu sentimento.
Era algo novo para o homem, seu corpo estava a afundar, mas seu espírito estava em pé, olhando seu reflexo na água. Foi quando sua mulher, sorridente, avisou que o café estava pronto, e seu filho sorria e brincava pelo quintal. Na verdade, ninguém estava ali.
 
Itacoatiara-AM, 27 de dezembro de 2019.
Abraão Marinho
Enviado por Abraão Marinho em 27/12/2019
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