Poeta Abraão Marinho
Fracassado não é aquele que perdeu uma luta, mas aquele que desistiu da guerra.
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A TRILHA MALDITA
 
Um casal andava em uma misteriosa estrada, estavam em algum lugar do Amazonas, em destino a uma vila que ficava afastada de tudo e de todos, assim, Julia e Fred andavam em uma moto, eram mais ou menos 16:00, o tempo estava se fechando, as nuvens ainda carregadas deixavam um ar de mistério.
           Já fazia quinze minutos que eles deixaram a estrada principal e entraram em uma trilha um pouco estreita, com o adorno de árvores antigas, não tinha asfalto, tudo era barro. Segundo informações que tiveram, a pequena vila ficava a 80 km desde a entrada. No entanto, tudo parecia estranho, a estradinha passava uma energia ruim, quando de repente Fred viu pelo retrovisor um carro vindo há metros de distância, mas tudo bem, nada disse.
            Passando-se um tempo, parecia que o carro estava segui-los, até fazia o mesmo percurso, o rapaz percebeu e perguntou a sua mulher.
          − Você está vendo este carro que vem atrás? Parece nos seguir.
A moça assustou-se e rapidamente olhou para trás, e ficou ainda mais aterrorizada quando viu que não tinha ninguém atrás, e disse:
           − Sério mesmo que você viu um carro? Não tem ninguém.
           − Não pode ser! Eu vi um carro que parecia nos seguir, e ainda o vejo, olha só como dá para vê-lo pelo retrovisor.
          − Eu vejo algo pelo retrovisor, mas quando olho para trás não vejo nada, será que é algum tipo de ilusão de óptica?
            − O que será que isso pode ser? Estou começando a ficar com medo.
Logicamente, os dois estavam muito incomodados, mas resolveriam ignorar aquilo, ainda eram 16:30, e faltava uma hora e quinze minutos para chegarem ao local. Parecia que a cada hora que passava o carro estava a se aproximar mais, estava começando a escurecer e a mata parecia se fechar.
          Em determinado momento, apareceu uma placa de atenção: Não olhe para trás para que o carro não se aproxime, é perigoso, tome muito cuidado! Neste momento o desespero tomou conta dos dois, alguns barulhos começaram a soar na mata, e eles tentavam decifrar se era algum bicho.
            Quando passou alguns instantes avistaram uma garotinha um pouco distante, ela estava de branco e parecia estar com medo. Ao se aproximarem dela ouviram um clamor: Por favor, me ajudem, ele está para chegar, ele não pode me pegar, ele vem ali atrás! Estou andando há horas, ele me pegou e me sequestrou, tentei fugir dele, mas ele veio atrás de mim.
            − O que você acha, amor? – perguntou Fred à Julia.
            − Acho melhor não, vamos nos apressar para chegar ao destino antes que escureça ainda mais.
            A garotinha começou a chorar, e os dois continuaram a trilha (nem podiam olhar para trás por tanto tempo), quando estavam um pouco distantes, ouviram a voz da garotinha: ele não pode ver vocês, mas já que me deixaram, farei com que ele veja vocês, corram, senão os pegaremos!
       O coração começou a bater forte, já eram 17:20 e estava escurecendo muito rápido, alguma coisa parecia correr na floresta, e eles conseguiram sentir uma presença. Não havia ninguém ali, estavam no meio do nada, de repente viram uma casa muito velha e um senhor estava sentado na frente, e perguntaram:
             − Senhor, está muito longe da vila?
     − Vocês na metade do percurso, ainda faltam quarenta quilômetros.
Eles queriam saber mais informações sobre o carro que os seguia, então Fred perguntou:
           − Senhor, você sabe alguma coisa sobre um carro que pode ser visto pelo retrovisor, mas quando olhamos para trás não há nada?
O senhor ficou assustado, aterrorizado e gritou:
            − Não pode ser! Venham comigo agora!
Não hesitaram e foram mesmo, logo ficaram sabendo pelo senhor que aquele era o mistério da estrada, e souberam que o senhor havia colocado aquela placa. A história dizia que naquela estrada você não deveria olhar pelo espelho, coisas estranhas aconteciam, pessoas desapareciam, olhavam pelo espelho e parecia serem seguidos pelo carro, e o medo que corroía o coração alimentava a entidade, era algo demoníaco.
            Diversos espíritos apareciam na estrada à noite, na verdade não havia nenhuma vila, a trilha tinha péssimas condições e tinha diversas curvas, e isso colocava a pessoa na estaca zero aos oitenta quilômetros, ou seja, voltariam à estrada principal. A “vila” nunca havia existido, pois esta trilha é a trilha maldita, aterrorizava as pessoas, para tomarem seus corpos, assim as possuíam e voltariam para as suas cidades não como elas mesmas, mas como estes espíritos.
            Esse era o motivo de alguns comentários acerca deste lugar, apenas os espíritos que se apoderaram do corpo das pessoas sabiam sobre a existência da vila e a propagavam às demais pessoas. Como sairiam dali? Bastava não acreditar naquilo e não olhar para trás. Logo ao dar a notícia, o senhor começou a ter uma convulsão e caiu duro no chão.
            Fred tirou os retrovisores da moto e seguiu a trilha com uma velocidade ainda maior, estavam desesperados, as horas passavam e uns risos podiam ser ouvidos, alguns sussurros que diziam seus nomes; diversas meninas vestidas de branco pediam carona, e foi escurecendo. Tudo havia funcionado bem, faltava três quilômetros para saírem da estradinha, quando a moto parou de funcionar misteriosamente, e não quis pegar mais.
     Então, estavam no meio do nada e começaram a andar rapidamente, sem olharem para trás, mas ouviam passos, gritos, Fred empurrava a moto para pedir ajuda mais à frente. Alguma coisa passou correndo ao lado deles, mas nada podia ser visto, ali estavam apenas com a luz da moto, nesse momento já eram 20:00, extremamente escuro.
            Julia sentiu um toque em seu ombro e se arrepiou, mas tentou não ficar com medo por ter pensado que fora Fred quem tivera a tocado. De repente um frio intenso tomou conta do local, e a luz da moto desligou. Então os dois resolveram se deitar perto da mata, e decidiram dormir, e chegaram à conclusão que as coisas do outro mundo não poderiam interferir nesse, exausto, fecharam os olhos.
            À meia noite havia uma pequena luz em seus olhos e começaram a acordar, foi quando perceberam que havia uma casa muito bonita ali próximo, e resolveram ir até ela, bateram na porta, mas ela estava abandonada, ninguém estava lá. Apesar de bonita, era pequena também, iriam descansar para o outro dia. Entraram na casa e nela não tinha nada, apenas uma pequena cama, um banheiro e tinha luz, a casa não tinha porta, e só tinha este quarto e este banheiro mesmo.
            Então dormiram um pouco, mas passos podiam ser ouvidos lá e nas redondezas das florestas, quando Fred acordou para ir ao banheiro às três horas da manhã, ao ligar a luz viu que tinha um espelho, e imediatamente fechou os olhos. Mas não teve jeito, seus olhos ficaram entreabertos sobre o reflexo e um vulto pôde ser visto passar por trás, então ao abrir totalmente os olhos viu que tinha um homem rodeado de sangue que corria com uma faca em sua direção, olhou para trás e não havia ninguém.
            Seu estrondoso grito acordou Julia, que ao levantar-se viu um espelho, mas não estava a se assustar, mas começou a rir, e disse para Fred que era tudo mentira, que não existia, e ainda disse:
            − Isto tudo é fantasia, Fred! Estamos ficando loucos. Veja, já são três horas da manhã e aqui tem uma lanterna, vamos, deixe de medo!
            − Mas eu vi um homem correr atrás de mim com uma faca, vi vultos, ouvi barulho, ouviu o que a garotinha disse? E se for o homem do carro, você viu que parecia muito real. E quanto ao senhor que morreu em nossa frente? Isso não pode ter sido uma simples imaginação, esta trilha maldita está nos enlouquecendo!
            − Tudo foi imaginação, vamos sair daqui, pois fantasmas não existem.
Saíram da casa, e passando vinte minutos conseguiram achar a estrada principal, e caminharam normalmente, tudo parecia calmo, não havia barulho nem passos. Conseguiram uma carona com um táxi que passava ali.
             O taxista estava surpreso, e disse:
            − Vocês estão vindo da tal vila?
       − Sim, ela é muito bonita, talvez seja um dos lugares mais bonitos do mundo, o problema é que nossa moto não funcionou mais há meia hora. – disse Julia, muito calma.
Fred tomou um tremendo susto, mas parecia em transe, não pensava direito e só fechou os olhos para descansar.
            Ao acordar o taxista disse que já estavam perto de Manaus, e já eram seis horas da manhã. Normal, quando Fred avisou logo a frente lá estava Julia, de branco, Fred gritou atonitamente: PARE ESTE CARRO! Com o susto o motorista quase perde o controle do carro, mas freou a tempo.
           − O que houve? – perguntou o taxista.
           − Tinha uma mulher de branco ali na frente, você iria atropelá-la!
            − Não tinha ninguém, eu juro!
Julia acordou assustada, e pareceu preocupada, e disse:
            − Você está bem, querido?
            − Sim, só estou um pouco assustado.
            − Você andou tendo alucinações ultimamente, temos de ir ao médico.
Chegaram em Manaus, estavam de volta ao seu lar, mas Fred lembrou do que disse sua mulher na noite anterior, chamou-a e disse:
            − Amor, por que você disse ao taxista que a vila era bonita?
            − Eu queria disfarçar, ninguém acreditaria em nós.
Fred convenceu-se e nada mais perguntou. Ao passar dos dias percebeu que sua mulher não parecia a mesma, não se lembrava de coisas básica dos dois. A sétima noite estava a caminho e à meia noite Fred foi assassinado por sua mulher. A única coisa que a polícia conseguiu descobrir é que o assassinato fora feito com uma grande faca, e que no local do crime havia uma mensagem: nunca volte à vila.
O assassinato paralisou toda a cidade, e este parece ser o motivo mais racional, visto que a mulher foi encontrada enforcada dias depois, deixando uma carta contando uma história, e no final dizia:
            − Não cometi este crime terrível, foi aquela trilha maldita.
Passaram-se dois anos do assassinato, e nada foi encontrado, nem mesmo a trilha descrita na carta de Julia, somente inúmeros casos que se assemelhavam a este.
 
Itacoatiara-AM, 01 de setembro de 2019.
 
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Abraão Marinho
Enviado por Abraão Marinho em 01/09/2019
Alterado em 01/09/2019


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