Poeta Abraão Marinho
Fracassado não é aquele que perdeu uma luta, mas aquele que desistiu da guerra.
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O GAROTO QUE NÃO SE ENTREGOU AO “COMUM”
 
Nas imediações de um país tomado pela mediocridade, e ao mesmo tempo pela beleza natural não explorada; pela cultura totalmente tomada pela bestialidade, havia um garoto diferente e totalmente farto deste tipo de nojeira, muitas delas feitas com dinheiro público, outras com a irretorquível lavagem de dinheiro. Nesse lugar promovia-se a todo vapor o crime organizado e demais aberrações, ora com ares de inclusão, ora com ares de moda. Tenta-se despertar a todo custo apenas os sentidos mais simplórios e básicos do ser humano: Comer, dormir e fazer sexo.
Na arte, apenas vê-se rasuras, quando não alguma escrotice de movimentos que são advindos da luta de classes marxista; quando não, vê-se espalhado nas ruas milhares de artistas sendo ignorados, e às vezes, vilipendiados. Nesse lugar havia uma lei que “visava” promover a cultura, mas realmente só ajudava “artistas” de renome, parte deles eram alinhados ao pensamento político (quando não eram recrutados) pelo antigo modo de governos passados (hoje em dia a bestialidade continua, mas não com dinheiro público), diante disso o garoto apenas lia e escutava autores clássicos.
O garoto fazia poesias, crônicas, contos e tinha alguns livros, mas era ignorado, e tinha que aturar “mc priquito”, “mc maconha” e diversos outros com esse prefixo ridículo fazerem sucesso com uma “música” cujo verbo destaque é ‘sentar’. Portanto, diante disto o garoto ficava no anonimato, e se esbaldava com as músicas de Beethoven, Mozart, Bach, Chopin, dentre outros, mas também ouvia alguns compositores nacionais de outros tempos, tempos estes em que realmente havia cultura nesse país.
O jovem escritor tinha uma mentalidade crítica, e tinha que aturar “cada um tem seu gosto”, “não julgue as pessoas, pois nem todas gostam da mesma coisa”, e tentava buscar no fundo de sua alma uma resposta coerente para tamanha lavagem cerebral, por que algo que não tem conteúdo e nem compõe com características básicas da música ou da literatura faz tanto sucesso?
Sem isentismo, muitas pessoas têm medo de expor suas opiniões para não magoar outras, talvez essa seja uma porta de entrada para a mediocridade, o fim da própria essência. Nesse país você tinha que medir as palavras para determinadas “classes”, mas não tinha que se defender quando as mesmas atacavam, sendo essas hipócritas, que não vivem nada daquilo que pregam. Esse era o lugar perfeito para a fantasia, havia um ritmo musical que estava totalmente deturpado, e de suas entranhas apenas saía uma dissonância de adultério, vícios e promiscuidade.
A fórmula musical e poética deste país é simples: você apenas tem que formar uma música chiclete para rodar nas caixas de som com o máximo de volume, tem que injetar muito dinheiro (não importa a fonte), e o mais importante: se tudo for feito de maneira criteriosa, poderá ir para todas as mídias, que alimentarão os milhões de idiotas que consomem coisas vazias, sem conteúdo, que os emburrecem ainda mais.
Por fim, este é o drama de fazer alguma arte no país, neste caso estamos falando apenas de um jovem escritor (pois a dor é menor), imaginando-se as questões das bandas que realmente têm qualidade e dão a alma pela perfeição (se fazes parte disso, certamente seus olhos estarão quase cheios de lágrimas). Para um escritor, é difícil ver a intelectualidade ir por água abaixo quando uma historinha medíocre compõe o núcleo da maior venda nas livrarias.
É difícil olhar o estrago que fizeram com esse lugar, culturalmente falando, e certamente nasceram e ainda nascerão vários artistas que farão jus aos que se destacaram no passado, mas estes terão que viver nas sombras, viver humilhado vendo que a busca pela perfeição “não traz bons frutos” (tanto faz, quando se está querendo ganhar dinheiro para sobreviver, tem que dar ao rebanho a aberração que querem); deturparam até a arte da enigmática poesia, área do garoto. Prega-se, portanto, que as palavras não devem ser tão escolhidas, que qualquer coisa pode ser arte, que qualquer coisinha escrita (não trabalhada) pode virar uma obra de Shakespeare.

A engenharia social foi bem-feita, e beneficia na propagação de um dialeto mental de doutrinação, de inépcia interior, sem nenhum tipo de transcendência, sem nenhum tipo de beleza, apenas o talento nato de ser eternamente ruim, não buscando nenhum tipo de melhoria. Lógico que isso não se aplica a todos, mas esses podem dizer o quanto isso dói, o quanto desanima. Qualquer semelhança com o Brasil é mera coincidência.
 
Itacoatiara-AM, 31 de agosto de 2019.

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Abraão Marinho
Enviado por Abraão Marinho em 31/08/2019
Alterado em 31/08/2019


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