Poeta Abraão Marinho
Fracassado não é aquele que perdeu uma luta, mas aquele que desistiu da guerra.
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A CARNE ESTÁ ASSADA!

Dois amigos eram caçadores e passavam temporadas na mata, e lá se refugiavam por alguns dias, e voltavam para casa com uma grande quantidade de produtos para vender, assim só voltavam a executar esta tarefa quando se acabava o dinheiro. Era setembro, e no meio da floresta amazônica fazia muito calor, estava sendo um dia muito difícil, e um desses homens disse:
− Ah como eu queria uma mulher para me ajudar!
− Você tem razão, ser homem é muito difícil, ainda sem a tarefa dividida com uma mulher, sem uma casa arrumada e roupa lavada, e uma comida gostosa ao chegar do trabalho. – exclamou o outro amigo.
Eles não tinham nomes, então apenas por meio da característica podemos diferenciá-los. Um era magro, o outro gordo; um era alto, o outro baixo; um era corajoso e o outro medroso. O corajoso houvera pedido primeiro uma mulher para ficar ao seu lado, o medroso apenas havia salientado a ideia.
Passaram o dia todo fazendo a trilha e conseguindo artigos de caça, alimentaram-se quando estavam com fome (aliás, eram muito bons no que faziam). Estava na hora de fazerem suas barracas, e ao chegarem ao local avistaram distante uma casa até que bonita, com algumas roupas no varal, de dentro saiu uma mulher majestosa, com o corpo belo e escultural, morena, com as características das belas índias da Amazônia.
O corajoso apontou para o horizonte, e disse:
− Olhe ali, só pode ser sorte nossa!
− Não sei não, isso é muito estranho. Da última vez que viemos não existia essa casa, nem sinal dessa mulher. Você não acha estranho isso tudo aparecer logo após praticamente gritarmos por uma mulher? – respondeu meio receoso, o amigo medroso.
− Que nada! Eu queria uma mulher, e surgiu uma mulher. Meu amigo, eu sou é Deus! – ironizou o corajoso.
O medroso sabia que algo estava errado, mas esperaria o tempo dizer se ele tinha razão ou não. Na verdade o medroso era mais observador, mais técnico, enquanto o corajoso era mais ligado às emoções.
− Então vocês estavam precisando de uma mulher para ajudar vocês nos seus afazeres? – disse a bela índia, com o olhar tocante.
O corajoso, portanto, disse:
− Sim, minha querida. Você chegou na hora exata. Não é, meu amigo? – disse o corajoso com o olhar arrebatador para o medroso.
− É... – disse o medroso, um pouco envergonhado.
− Então, vocês não querem entrar para comerem alguma coisa, parecem famintos! – exclamou a moça, com um sorriso encantador.
− Sim, vamos lá! – retrucou o corajoso.
Os dois jantaram muito bem, em seguida tiveram suas roupas bem lavadas. O corajoso dormiu junto à moça, e o medroso dormiu em outro quarto – certo de que havia algo de errado – e deitou em uma cama um pouco desconfortável. No outro dia voltaram a caçar, suas roupas estavam cheirosas, e eles cevados, bem alimentados.
Mais um dia difícil, estava difícil de achar caça e voltaram exaustos para a casa, no final do dia. Ela estava sentada à beira de um barranco, olhando a paisagem de um belo rio, seus cabelos brilhavam de longe. Quando avistou os homens, foi correndo para recebê-los; mais um fim de tarde e noite como no dia anterior, tudo se repetiu conforme o planejado.
Ao acordarem, perceberam que a mulher não estava lá, o medroso começara a estranhar, porém, tudo ficou por isso mesmo. Passaram o dia ralando para acharem uma caça, e perceberam que ainda não havia nada de reserva para levar para casa. Mas tudo estava ocorrendo naturalmente, até que voltaram quase ao fim do dia para o lugar onde teriam a noite de descanso.
Ao chegar lá, o medroso percebeu que nada estava como nos dias anteriores, as roupas estavam um pouco bagunçadas, a comida estava um pouco ruim, e a aparência da mulher mudara; ela estava um pouco descabelada, havia caído um dente de sua boca, e suas unhas estavam sujas, porém, para o corajoso tudo estava maravilhoso.
Portanto, o mesmo ciclo se alçou no outro dia, mas ao chegarem à casa, nenhuma roupa estava lavada, a comida estava podre e a mulher estava com o cabelo totalmente desfigurado, com os olhos negros, e com as unhas imensas, a casa estava fedendo, então o medroso perguntou ao corajoso:
− Você não está vendo isso?
− O quê? Está tudo ótimo, temos mulher!
Então o medroso fez o que qualquer medroso faria: pôs-se a correr!
Então o corajoso começou a perceber que a mulher estava horrível, com os dentes todos podres e os olhos negros.
− Amor, eu irei caçar uma carne na mata para nós e já volto. Tudo bem? Asse logo a carne que tem aqui. – disse o corajoso tentando não fazê-la perceber a fuga que iria acontecer.
Ao sair da vista dele, esse homem correu, e correu tanto. Estava anoitecendo e não parava de correr. De repente ouviu um pouco baixo reverberando sobre a mata: A carne está assada, a carne está assada! Desesperou-se logo e aumentou ainda mais seus passos, estava morto de cansado, e ressurgia de cinco em cinco minutos que a carne estava assada.
Agora aquilo estava se aproximando cada vez mais, e o corajoso estava morrendo de medo, não sabia o que era aquilo, só conseguia ouvir um som de destruição. Aquilo estava destruindo tudo que estava ao redor; quando de repente o corajoso pôde ouvir um ruído vindo a duzentos metros:

A CARNE ESTÁ ASSADA!
 
Estava completamente escuro e surgia uma luz, um monstro gigantesco, que ao falar ressurgia um fogo mais destruidor que o próprio monstro. E agora? O corajoso viu que a árvore mais alta que poderia existir estava à sua frente e subiu corajosamente e rapidamente ao topo.
O monstro se aproximava ainda mais, até que estava debaixo da árvore. Estava sentindo um cheiro, e de repente olhou pra cima, e disse:
− Então você está aí, né? VOCÊ NÃO PODE SE ESCONDER DE MIM! – disse o monstro com suas asas enormes, e ao dizer isto o fogo chegou perto dos pés do corajoso.
A árvore tinha mais de duzentos metros de altura, e o monstro subiu tudo rapidamente, e dizia que iria pegá-lo e matá-lo, e ao tocar em seus pés, o galo da manhã cacarejou: cocoricó! Então o monstro despencou e de costas no chão acabou-se na queda. Mas o monstro levantou-se e disse:
− VOU TE PEGAR E TE MATAR LENTAMENTE!
O monstro subiu, e quando tocou nos pés do corajoso, novamente cacarejou o galo: cocoricó. Então despencou mais uma vez daquela altura, e já estava amanhecendo. O monstro olhou pra cima e disse:
− Nunca mais deseje NADA quando estiver na FLORESTA!
E assim o monstro foi embora derrubando tudo à sua frente. E quando desceu da árvore chegara ao mesmo instante o medroso, juntamente com a equipe de resgate. Seguiram os rastros da destruição e acharam um terreno com vários buracos com cerca de cinco metros. E neles se encontravam estes monstros, já mortos.

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Abraão Marinho
Enviado por Abraão Marinho em 30/08/2019


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