Poeta Abraão Marinho
Fracassado não é aquele que perdeu uma luta, mas aquele que desistiu da guerra.
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 A CASA ABANDONADA
 
Em uma pequena cidade de São Paulo, circunda uma história macabra que envolve uma criança, as pessoas da cidade de um pouco mais de dois mil habitantes estão com muito medo, muitas até fugiram de lá, e parecia que alguma coisa prendia a atenção das pessoas em uma antiga casa, de lá ouviam-se vozes de uma criança e passos, que misturados aos diversos temporais que aconteciam na região, reverberavam até a casa dos vizinhos, que também relatavam ouvir gritos desesperados da casa.
     Nos fundos da casa existia uma pequena floresta, haviam relatos de que aquela área fora um cemitério logo nos poucos anos em que a cidade fora construída. Pedro tinha curiosidade de conseguir mais informações, o que se tinha era a lenda urbana de que havia morado naquela casa uma família muito esquisita, a pai batia na esposa e nos filhos, este era um renomado satanista local que até se reunia com um pequeno grupo de amigos para realizar cultos satânicos na pequena floresta.
       Nesta época ele tinha muita influência, e juntamente a seu grupo, sempre sequestrava alguma criança para fazer um pacto, assim ele teria o que desejasse, e dava à entidade a alma de uma criança; assim, a mesma criança era encontrada, mas não era a mesma que estava ali, era o espírito que estava em seu corpo, passava-se uns dias e matava toda a família com uma faca, perfurava o coração e fazia o símbolo entidade.
        Assim ficou por muito tempo, quando estava muito velho, jogou uma maldição contra sua filha, e o mal a possuiu, e a menina o matou impiedosamente, também à sua mãe, mas o espírito do homem ainda vagava feliz pela casa, pois tinha se “sacrificado” para o diabo. No entanto, quando a população descobriu que o mal estava na menina, reuniram padres da igreja e fizeram o exorcismo, mas era muito forte, e a parte interior da menina conseguiu se libertar um pouco, mas não resistiu, e ainda escreveu com seu sangue na parede: não aguento mais, irei me matar para que o mal possa se acabar.
     Um tempo passou e descobriu-se que a menina não estava em paz, e logo, que não era seu espírito que circundava pela casa, mas algo do além que continha muito ódio, que atraía muitas crianças; algumas investigações foram feitas e descobriram que quem estava ali no corpo da menina não era mais ela, mas seu pai, que iria atormentar todos da cidade para sempre disfarçado de criança.
   Também estava na lenda o fato de que todos os envolvidos na possessão foram amaldiçoados, e desapareceram sem deixar rastros. Nada disso entrava na cabeça de Pedro, que juntamente a um grupo de amigos queria explorar mais sobre o tema e descobrir se era verdade ou mentira, pois todos sabem que a maioria das lendas são fantasiosas, então o grupo de meninos teve a brilhante de ideia de ir à casa depois da escola, iriam passar uma noite na casa abandonada, e iriam levar algumas filmadoras para “provarem” às demais pessoas que aquilo era apenas imaginação delas.
     Dado um certo momento, deu-se o tempo de irem à casa, uma grande tempestade estava por vir, e parecia que escurecia muito rápido. Entraram na velha casa, e não havia nenhum móvel, haviam várias goteiras, e tinha dois andares na casa, era pequena, e não tinha nada em baixo, mas com um banheiro e dois quartos em cima; era um local relativamente normal, não havia nada demais ali; eles se acomodaram, neste momento já eram seis horas da noite.
     Passaram-se algumas horas e nada havia acontecido, estavam ainda mais céticos, portanto, a casa começou a ranger (a esta altura eram dez horas da noite), mas os três se olharam e disseram em um coro: “Normal, a casa está caindo aos pedaços mesmo”. Começaram a gravar diversas coisas, havia um na turma, o Carlos, que era muito brincalhão e ficava tirando sarro da situação: “E aqueles bando de caipiras lá fora com medo da casa”, “não acredito que vou perder meu tempo aqui”.
      Tudo na normalidade, até que deu meia noite, ouvia-se passos nas escadas, ora alguns gritos, ora risadas. Dois se acordaram, e disseram: Só pode ser o Carlos querendo nos assustar, mas não perceberam que o Carlos estava dormindo ali perto, e que enquanto ele dormia, alguém havia os chamado: Garotos, venham aqui, quero brincar. Apesar do absurdo, chegaram à conclusão que era apenas alucinação, e voltaram a dormir.
    Mas os passos persistiram, as vozes ficaram cada vez mais intensas, dando lugar a um leve medo no grupo, que já estava acordado gravando tudo afim de buscar alguma coisa, quando uma forte batida estrondou em algum lugar, foram ver o que era e parecia soar de seus pés, então tiraram os tapetes e descobriram que havia uma passagem para o porão, estava uma escuridão, e estavam sem lanterna, apenas o pouco da luz que restava da câmera, e continuavam a gravar, até mesmo para enxergarem algo.
       Ao descerem as escadas o barulho se retraía um pouco, e deste barulho restaram os passos e os risos, e uma voz que dizia: Eu vou pegar todos vocês. A partir deste momento todos correram para cima, e quando estavam no último degrau a porta fechou, e de repente tudo ficou em silêncio, os olhos dos garotos estavam arregalados e decidiram descer lentamente para ligar a luz que estava lá embaixo, bastava puxar a corda.
         Pedro era o que tinha mais medo, e era o que gravava; desceram lentamente as escadas e ligaram a luz, no entanto viram que não havia saída. A porta de cima abriu e foram correndo para fora, conseguirão sair a salvos. Quando se deram conta haviam várias crianças brincando no interior da casa, e quando perceberam que eles estavam ali, começaram a cantar uma música de ninar:
 
Por que estão aqui neste mundo
Se nunca mais poderão sair?
Da voz apenas restará o tom mudo
De se gritar, mas ninguém ouvir.
 
Ficarão presos neste mundo,
Nunca mais poderão sair;
Por mais que tentem de tudo
Suas almas irão sumir.
 
Ao término da música os rostos das crianças ficaram desfigurados, com muito sangue, e a forma como morreram estava passando pelos olhos de cada um. Desesperados, correram até a porta, mas de repente uma escuridão. Amanheceu, e dois garotos acordaram em frente a porta, e Pedro havia sumido. Pedro acordou no porão e desesperou-se, ao menos tudo estava claro, correu rapidamente em direção à porta de saída da casa, foi quando avisou seus amigos, e gritou: Estou aqui, olhem! Conseguimos as provas!
      Tinha gravado tudo, mas não estava sendo ouvido, os garotos não conseguiam enxergá-lo, foi quando Pedro deixou a câmera cair, desnorteado com a situação e pôs-se a gritar de desespero, Carlos e Gustavo também estava desesperados, e de repente viram a câmera cair no chão e se quebrar em infinitos pedaços.
      Os garotos saíram dali para pedir ajuda de alguém, Pedro também correu junto, mas a porta se fechou para ele, que começou a chorar violentamente. Quando olhou para trás, viu muitas crianças ensanguentadas chorando, e de trás delas surgiu um homem velho vestido de preto, que disse: Agora você é um dos nossos, continuaremos a chamar a atenção de mais pessoas para cá e ficaremos com uma, agora ninguém poderá de te ver, ninguém poderá te ajudar, agora o que restará é o teu grito, o que algumas pessoas poderão ouvir e nada mais, bem-vindo ao meu mundo.
   Hoje se completam seis anos e Pedro continua desaparecido, houveram suspeitas de que tivesse sido um assassinato, mas nunca sequer conseguiram achar o seu corpo. Relatos confirmam a lenda, com mais este caso acontecido. Como precaução as autoridades proibiram as pessoas de se aproximarem da casa, mas alguma coisa não deixa que as pessoas não fiquem curiosas com esse caso.
      Nas remediações do local, os amigos de Pedro ouvem sempre que passam por perto: Socorro, me ajudem, não consigo sair daqui! E nestes anos que passaram o caso foi esquecido, até pelos próprios sujeitos que se diziam seus amigos...
 
Itacoatiara-AM, 30 de agosto de 2019.
 
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Abraão Marinho
Enviado por Abraão Marinho em 30/08/2019
Alterado em 30/08/2019


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