Poeta Abraão Marinho
Fracassado não é aquele que perdeu uma luta, mas aquele que desistiu da guerra.
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O CONTO TRISTE
 
Um dia, havia um garoto que sonhava em acordar, lembrava de um passado que não havia vivido e vivia um presente baseado no passado, que em um certo horário se tornou um futuro inesperado, onde de suas vestes apenas soavam tristeza, agonia, e porventura, quase soava a menor das dores, que pairava nas paredes.
Sempre que a morte se aproximava, uma de suas lágrimas esbarravam nela, e sua pele era arremessada no ar, era trajada de um sentir ainda maior que o medo, ainda menor que a vida que plantava ao seu solo a ilusão; lembro-me de um dia vê-la relutante, na tentativa de finalizar seu trabalho de aliviar a dor, mas a dor corroía sua alma e sua essência, construindo-lhe uma subcamada de ternura arraigada de solidão.
O garoto era retraído de seu encanto, e ao olhar-se no espelho avistava a amargura e diversas cicatrizes invisíveis que deixavam sua pele enrugada, não mais envelhecida que o tempo, mas mais degastada que as cinzas do vento em uma tempestade; via-se na aurora da vida, e lembrava-se de todos os espinhos que lhe espetavam a lamúria a ponto de deixá-lo fechado e preso no subsolo de seu próprio ser.
Havia uma vitrine que expunha seus sonhos, quantos foram realizados e quantos foram acorrentados pelo rancor, pelo desgosto em ver o invisível, até o desgosto em colorir a paisagem do encanto, entregando-se ao casto jeito de amargurar seu semblante em meio a tantos desertos cheios de flores; nas bordas de seus sentimentos, os básicos para que houvesse harmonia, eram esquecidos e jogados nas profundezas do esquecimento, no auto mar das fúrias que vinham na contramão do dia.
No entanto, sobrevoando o que restou das cinzas, despertou interiormente, mas era tarde demais. Seu corpo estava estirado nas nuvens da agonia, deitado sobre a cama velha e sem conforto, ninguém estava ao seu lado, talvez fosse bem melhor que a oportunidade de a morte vir fosse dada pelo seu pensamento cansado e ainda fenecido pelo cáustico ver de seus olhos rancorosos.
A respiração começava a se acalmar, os pulsos pulavam cada vez menos; uma imagem passou pelos seus olhos entreabertos, viram calmamente a vida passar pelos olhos, de repente as lágrimas começam a escorrer e evaporar no infinito; uma dor no peito consome o garoto, suas vestes apenas soavam tristeza, agonia, e porventura, a menor das dores: a morte.
 
Itacoatiara-AM, 24 de agosto de 2019.
Abraão Marinho
Enviado por Abraão Marinho em 24/08/2019
Alterado em 28/08/2019


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