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  • No Submundo Do Luar

    No submundo do luar
    Meu olhar se encontra partido
    Dentro de um novo sonhar,
    De um novo delírio.

    E nas sombras deste luar,
    Flutua sob seu próprio grito;
    E o coração a pulsar
    Submerge aflito.

    E nas ventanias do pensamento,
    Encontro-me perdido
    Dentro desse mesmo luar
    Que me serve de abrigo.

    No seu brilho de ternura
    Hei de acalantar os passos,
    E no véu de sua luz escura
    Hei de encontrar a cura
    Destes entrelaços.

    A mente a acreditar,
    Consciência a desenhar
    Na folha taciturna do medo,
    O espelho algoz desse segredo
    Onde tende a se entregar.

    Desnuda sob as vestes pueris,
    Balança seus pesados quadris
    Sob as nuvens do céu estrelado
    E, como em num sopro, quase sem voz,
    Murmura sobre o cansaço inacabado.

    As lembranças alucinam seus lábios
    Com o gosto amargo do passado.
    Já não enxerga o próprio reflexo,
    Já não organiza o pensamento disperso;
    No retrato, apenas um ser desconexo.

    Aurora turva sobre os prantos do rosto,
    Já não podia esconder quem era…
    Já não jazia nos enganos que inventara,
    Já não colhia os frutos do que plantara,
    Já não poderia iluminar suas trevas.

    No submundo do vasto mar,
    Reinventou-se das cinzas.
    Sob as raízes do derradeiro luar,
    Pôde finalmente ter vida;
    Ressignificar sua despedida.

    E nas sombras deste mesmo luar,
    Já não há retalhos nem armadilhas,
    Já não há pavor nem agonia.
    E nas sombras deste mesmo olhar,
    O poeta reencontra a poesia.

    Itacoatiara-AM, 06 de novembro de 2025.